facebook
Ir para o conteúdo

No impeachment de Collor, o PT apoiou a indicação de José Serra para o Ministério da Fazenda

O YouTube mantém desde 2012 o registro do Jornal Nacional que foi ao ar um dia após a votação do impeachment de Collor. Nesse edição histórica, é possível se deparar com notícias que soam inusitadas hoje em dia.

De cara, é dito que o PMDB só aceitaria participar do governo Itamar Franco se o PT também participasse. Na sequência, ouve-se Lula negar a possibilidade. Na época, o petista liderava pesquisas de intenção de votos e, a exemplo de Marina Silva em 2016, preferia manter-se na oposição apostando nas eleições seguintes. Mas o próprio telejornal acrescentaria que o Partido dos Trabalhadores apoiava a indicação de, vejam só, José Serra para o Ministério da Fazenda.

Como se sabe, Serra nunca conseguiria o principal ministério do governo brasileiro, apesar de ter uma boa passagem pela pasta da Saúde. Contudo, naquele 1992, o obstáculo era Orestes Quércia, presidente do PMDB, que se dizia contrário à ideia.

Assim como agora, especialistas defendiam a nomeação de um técnico para o cargo. Itamar Franco, por sua vez, achava que a solução passava por alguém de confiança. Dois dias depois, o cargo seria entregue a Gustavo Krause, que não ficaria três meses nele, assim como Paulo Haddad e Eliseu Resende, que o sucederam.

O Brasil só teria alguma sorte oito meses depois da queda de Collor com um nome nem técnico, nem de confiança, mas de ótimo poder de articulação em Brasília: Fernando Henrique Cardoso. Em dez meses, apresentaria o Plano Real ao Brasil. E ficaria quase dez anos no comando direto ou indireto do país, contra a vontade até mesmo de alas importantes do PSDB – José Serra, por exemplo, se candidataria em 2002 em um tom que mais lembrava um candidato de oposição.

Quanto ao PMDB, segue governo até hoje. E continuará sendo. Com ou sem PT.

Curtiu o texto? Contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) do autor e/ou siga-o no Twitter e Facebook.