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O assassinato de Celso Daniel integra lista de pelo menos 11 mortes estranhas ligadas ao PT

Celso Daniel desapareceria em 18 de janeiro de 2002 e só surgiria morto – e torturado – dois dias depois. Ironia do destino, o primeiro inquérito policial foi concluído no primeiro de abril daquele ano. E tentaria vender a versão de que o prefeito de Santo André teria sido vítima de sete sequestradores trapalhões que levaram o milionário errado, arrependeram-se e resolveram o problema entregando a vítima para um menor disparar-lhe 11 tiros.

A família, no entanto, defende que o petista fora vítima de crime político, uma vez que possuiria um dossiê sobre um esquema corrupto envolvendo empresas de transporte e o financiamento ao Partido dos Trabalhadores.

Fato é que aquela não foi a única morte estranha envolvendo o prefeito de Santo André. Pelo menos oito pessoas ligadas ao caso morreram misteriosamente nos anos seguintes:

  1. Dionísio Aquino Severo
    O sequestrador de Celso Daniel morreu três meses após o crime, segundo a versão oficial, vítima de uma “facção rival”.
  2. Sergio, o ‘Orelha’
    Acobertou o sequestrador após o crime e o fuzilaram em novembro de 2002.
  3. Otávio Mercier
    O investigador da Polícia Civil havia ligado para o sequestrador na véspera do assassinato e foi morto a tiros em sua casa.
  4. Antonio Palácio de Oliveira
    Trata-se do garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime. Mataram-no em fevereiro de 2003.
  5. Paulo Henrique Brito
    Testemunhou a morte do garçom e o assassinaram três semanas depois.
  6. Iran Moraes Redua
    Agente funerário que reconheceu o corpo de Celso Daniel jogado na estrada e chamou a polícia. Foi morto em novembro de 2004.
  7. Carlos Delmonte Printes
    Era o legista que confirmou as torturas sofridas por Celso Daniel. Apareceu morto no próprio escritório em outubro de 2005.
  8. Josimar Ferreira de Oliveira
    O delegado que registrou a morte de Celso Daniel. Foi assassinado em janeiro de 2015.

O prefeito de Santo André, no entanto, não foi a primeira morte estranha envolvendo prefeitos petistas. Quatro meses antes, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, fora assassinado apenas 8 meses após assumir a prefeitura de Campinas. No inquérito, mais uma vez a polícia tentou vender a versão de que o político havia sido vítima de um crime comum. O caso repercutiu bem menos pois ocorrera na noite anterior ao 11 de setembro de 2001.

Contudo, muito se especula a respeito do que ocorreu há 18 anos em Rio Grande da Serra, o município menos conhecido dos sete que completam o “Grande ABC”. O prefeito José Carlos de Arruda foi assassinado num roteiro muito semelhante ao ocorrido com Celso Daniel.

“Carlão”, como era conhecido, foi sequestrado na noite de 30 de março de 1998 e, no primeiro de abril seguinte, surgiu torturado e morto com cinco tiros. Por muito tempo, o principal suspeito foi um empresário dono de uma empresa de transportes.

Apenas em 2010 alguns culpados foram para a cadeia. Segundo o Diário do Grande ABC, “foram seis acusados de matar o ex-prefeito: dois executores, Reinaldo Dionísio Alves (o Pilica) e Zito; um intermediário, Ademir Miranda, o Brinquinho, e três mandantes, que eram vereadores do município na época do crime – Valdir Mitterstein, o Gaúcho, Ramon Velásquez e Expedito Oliveira.”

Todavia, o “ex-prefeito de Rio Grande da Serra, Ramon Velásquez, teve o processo arquivado pelo Tribunal de Justiça por falta de provas“. O próprio PT nacional cuidou da defesa de Velasquez usando o mesmo Márcio Thomaz Bastos que viria a ser ministro da Justiça de Lula.

Hoje, em mais um primeiro de abril, a Lava Jato prendeu Ronan Maria Pinto, o dono do “Diário do Grande ABC”. O empresário teria chantageado Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho ameaçando contar o que sabia sobre a morte de Celso Daniel. Suspeita-se que teria recebido R$ 6 milhões para ficar calado.

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