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O Judiciário no banco dos réus

Nesta semana que se inicia, mais precisamente no dia 24, o Judiciário brasileiro viverá sua data mais importante desde o impeachment de Dilma Rousseff, em dezembro de 2015. Veremos nesta quarta-feira, em transmissão ao vivo pelo Youtube, o julgamento do ex-presidente Lula referente ao “caso Triplex”, onde foi condenado pelo juiz Sergio Moro a nove anos e seis meses de prisão.

Além do ineditismo de vermos, pela primeira vez, um ex-presidente sentado no banco dos réus, veremos também o Judiciário sendo julgado.

A população brasileira está pagando pra ver se o Poder Judiciário terá coragem de condenar o maior (quiçá o único) líder político da América Latina. Lula é réu diante do Judiciário. O Judiciário é réu diante da população.

Neste país a crise dos Poderes é tão grande que não se sabe mais onde termina um e começa outro. Não se tem mais fronteiras nas esferas de poder. Nomeações políticas deixaram de ser exclusividade do Poder Executivo, como ficou claro no caso da nomeação liminarmente bloqueada de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho. Julgamentos deixaram de ser exclusividade do Judiciário, como ficou claro nos casos onde o STF tinha certeza da culpabilidade de Aécio Neves mas devolveu à Câmara a responsabilidade por seu destino. O papel de Legislador saiu do Legislativo e se aninhou na palma da mão do Executivo, como no caso de venda de Medidas Provisórias (que ainda vão render muita dor de cabeça ao réu dessa semana).

O eterno dono do Partido dos Trabalhadores se agarra com unhas e dentes na mais gutural das estratégias de defesa: o apelo ao emocional humano. Grita dia e noite que “não existem provas e, assim, condenarão à cadeia um homem inocente”. Ele quer fazer chorar a mão de família e o pobre trabalhador rural quando, diante de seus televisores na quarta-feira à noite, assistirem no Jornal Nacional o ex-presidente recebendo o veredito ‘culpado’ diante dos juízes de Curitiba.

Na mesma linha de defesa está o Supremo Tribunal Federal, que desde o início da Lava-Jato envia seus representantes à entrevistas de todos os meios de comunicação para bradar “as instituições estão funcionando plenamente”, enquanto o Brasil assiste um ministro sozinho emitindo liminares e lavrando Habeas Corpus para livrar os maiores bandidos do Rio de Janeiro da cadeia. A estratégia de defesa do já desmoralizado STF é tocar o coração dos brasileiros (pois as mentes ele já não toca mais). Quer nos fazer crer na suprema inteligência, aquele poder transcendental do qual não conseguimos partilhar, nos restando assim apenas a fé. A crença de que “a justiça será feita”.

Juridicamente é quase impossível que Luis Inácio seja preso “de imediato”. Impossível porque para além da dificuldade de se fazer cumprir a lei neste país há ainda a dificuldade de se ter qualquer segurança em qualquer decisão, não há nenhuma impossibilidade neste país de justiça maluca. De fratricida recebendo benefício pra sair da prisão no Dia das Mães a assassinos de criancinhas  sendo beneficiados com ‘saídão’ do Dia das Crianças. Aqui um advogado de porta de cadeia pode tentar qualquer jogada diante do juiz e ainda lograr êxito.

Fica então marcado para esta quarta-feira, dia 24, o julgamento do corrupto Luis Inácio Lula da Silva, e do Judiciário brasileiro. Veremos quem sairá inocentado deste medonho episódio que assistiremos todos, atentos diante de nossa tela de computador, tablets e smartphones mundo afora.

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