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O que o Datafolha viu, mas a imprensa ignorou

É comum que a imprensa se atenha aos releases distribuídos pelos próprios institutos de pesquisa. Mas é fato que uma pesquisa de intenção de voto costuma colher muito mais informação do que as lançadas nas manchetes. Abaixo, segue uma lista de detalhes importantes colhidos pelo Datafolha que veio a público em 15 de abril de 2018:

Lulismo maior que petismo

Um em cada cinco entrevistados se disse petista. Mas é curioso como o grupo não transfere votos ao PT. Se Lula está no páreo, vota nele, do contrário, busca alternativas em outras siglas.

No Nordeste, assustadores 32% dos entrevistados têm no PT o partido de preferência. No Sul e no Sudeste, “apenas” 15%.

Queda espontânea após a prisão

Desde dezembro de 2016, Lula não aparecia com uma votação espontânea tão baixa (13%). Bolsonaro, contudo, igualou o próprio recorde de 11%.

 

Homens x mulheres

Entre homens, a intenção de voto em Bolsonaro chega a 24%, contra 11% das mulheres. Com Marina, há uma inversão: 20% entre mulheres, 10% entre homens.

É importante lembrar, no Brasil há mais eleitoras do que eleitores.

Ricos x pobres

Entre os mais ricos, a intenção de voto em Bolsonaro chega a 29%, contra 11% entre os mais pobres.

Com 19%, Marina vence entre os mais pobres, e fica em sexto lugar entre os mais ricos (4%).

Nordeste x resto

Se dependesse apenas do Nordeste, Lula seria eleito em primeiro turno – 50% das intenções de voto contra 34% da soma de todo o resto.

No cenário mais provável, a maior votação em Bolsonaro vem do… Centro-Oeste. Lá, o presidenciável vence até mesmo nos cenários com Lula, ainda que empatem na margem de erro.

Se dependesse da região Sul, Álvaro Dias iria ao segundo turno contra Bolsonaro.

Como votam petistas e tucanos

No cenário mais provável, em torno de 21% dos petistas escolhem Marina Silva, contra 15% que preferem Ciro Gomes, e apenas 3% que iriam de Haddad.

Apenas 28% dos tucanos vão de Alckmin, com 21% preferindo Bolsonaro e 10% indo de Marina.

Rejeição

É questionável o cálculo de rejeição do Datafolha, o Ibope costuma ser mais certeiro. Mas, com a ausência de Lula, e Temer ainda incerto sobre reeleição, Bolsonaro se converte no candidato mais rejeitado (31%), seguido de perto por Alckmin (29%).

Isso, claro, ao se excluir Collor, um personagem ora nanico.

No segundo turno, perderá o mais rejeitado.

Marina x Bolsonaro

No segundo turno mais provável, ampliou-se de 10% para 13% a distância entre Marina e Bolsonaro.

Em junho de 2017, contudo, Marina vencia com diferença de 22%.

Apoios rejeitados

Um apoio explícito de Lula renderia mais rejeição do que voto ao apoiado. Mas de FHC seria pior. De Michel Temer, muito pior.

Preparam o terreno

O Datafolha passou a perguntar a “cor” do entrevistado, oferecendo “parda”, “branca”, “preta”, “amarela” e “indígena” como opções.

A esquerda deve fazer uso disso para alimentar debates raciais na campanha.

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