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Os ministros de Collor só entregaram os cargos minutos antes da aprovação do impeachment

No exato momento em que o Congresso Nacional ouvia o 220º voto no processo de impeachment, Célio Borja, o ministro da Justiça de Fernando Collor de Mello, protagonizou um momento incomum: leu para a imprensa uma carta de demissão coletiva. Naquele fim de tarde, todos os ministros e secretários entregavam os cargos.

Collor, que havia implorado justamente o oposto semanas antes, estava só.

A carta foi preparada com antecedência e entregue antes mesmo de a votação começar. Um mês antes, os ministros tinham se comprometido a ficar no cargo até o final da crise política. Justificavam-se dizendo que não podiam deixar o país parado enquanto o impeachment era debatido.

O momento lembra a discussão que ronda o impeachment de Dilma, quando exige-se do PMDB que devolva ao PT os cargos que ainda mantém na Esplanada dos Ministérios.

É um movimento arriscado que só poderia ser feito na certeza de uma derrota de Dilma. Do contrário, ela pegaria aquelas centenas de cargos para comprar os 172 deputados que a salvariam do impeachment.

Mas a fila foi puxada justamente pelo ministro que mais riscos corria. No início dessa noite, Henrique Eduardo Alves devolveu à presidente o Ministério do Turismo. Com isso, o peemedebista perde – temporariamente? – o foro privilegiado. Citado algumas vezes na Lava Jato, deve ter o caso remetido aos cuidados de Sérgio Moro, o protagonista dos piores pesadelos dos políticos brasileiros.

Henrique não teria mudado de lado se não recebesse de Michel Temer garantias bastante sólidas. O indeciso Michel Temer não teria dado garantias sólidas se não as tivesse.

Os dias do PT na Presidência, ao que tudo indica, estão contados.

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