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Em 13 anos, gestões petistas gastaram quase um bilhão de reais com cartão corporativo

O Banco do Brasil trata o “Cartão de Pagamento” como um instrumento que desburocratiza bastante o pagamento de bens, serviços e despesas autorizadas por parte do Governo Federal. E mais: “permite total acompanhamento das despesas realizadas com os recursos do governo, facilita a prestação de contas e oferece maior segurança às operações“. Contudo, na prática, a teoria é outra.

De acordo com o Portal da Transparência, em valores atualizados pelo IPCA, de janeiro de 2003 a abril de 2016, as administrações petistas consumiram R$ 969,5 milhões só com os chamados “cartões corporativos”. Deste montante, não é informado o destino de 43,5% da verba (R$ 411,1 milhões) com a desculpa de que seria “para garantia da segurança da sociedade e do Estado“.

Reeleito, o governo Lula seria o que mais abusaria do recurso, quando gastaria em 2007 o que equivalia a R$ 130 milhões ao fim do governo Dilma. Mas apenas 21,3% dessa quantia foi queimada sob sigilo. No ano seguinte, a imprensa finalmente se pautaria pelo tema, transformando-o em escândalo, e a proporção de despesas ocultas, que vinham em queda desde FHC, nunca mais seria a mesma. Desde então, os recordes pertenceriam a dois anos eleitorais: em 2010, o Executivo utilizaria R$ 117 milhõess; em 2014, nada menos que 53,5% dos R$ 74,7 milhões consumidos seriam mantidos em segredo.

Implementados em 2002, os Cartões de Pagamento do Governo Federal seriam explorados por 60 servidores no último ano do segundo mandato de FHC. E iniciariam o mandato de Lula atendendo às urgências de 209 funcionários públicos. Mas só ganhariam as manchetes quanto 10.065 auxiliares do Planalto se esbaldariam em 2008. Desde então, o número enfrentaria uma lenta queda, todavia nunca abaixo dos 6.535 somados em 2015. No ano seguinte, em apenas quatro meses, mesmo com férias, carnaval e semana santa, o que restava de governo Dilma possibilitou a 3.287 funcionários fazerem uso de R$ 13,3 milhões destes gastos diretos.

Naquele 2008, Matilde Ribeiro, petista à frente do Ministério da Promoção da Igualdade Racial, seria demitida por ter sido ela a que mais explorara o crédito fácil no ano anterior. Entretanto, gastos esdrúxulos, como reformas em mesas de sinuca, presentes de camelô, compras de ursos de pelúcia ou mesmo diárias no Copacabana Palace comprovariam que o desvio de funcionalidade era enorme. Até mesmo Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do então presidente, seria flagrada abocanhando R$ 55 mil entre abril e dezembro de 2007.

Em 2016, até o mês de abril, com R$ 4.148.971,99 utilizados, foi justo a Presidência da República o órgão a mais explorar a ferramenta. Quase metade da quantia cairia no colo da ABIN, a mesma ABIN que findaria sob suspeita de ter espionado ministros do STF e membros da oposição, além do próprio presidente Temer. Quanto aos R$ 1.938.399,73 utilizados nos últimos meses da gestão Dilma, seguiam 100% sob sigilo naquele outono.

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Só há risco de o PT voltar porque o governo Temer dialoga pessimamente com o Nordeste

No levantamento publicado em 31 de janeiro de 2018, o Datafolha pediu aos entrevistados uma nota para o governo Temer. Houve uma inédita melhora, subindo de 2,3 para 2,6 no intervalo de dois meses. Mas não havia nada a comemorar, uma vez que a escala ia de zero a dez.

Zero, inclusive, foi a avaliação mais repetida, sendo a resposta de 43% dos sabatinados. Mas chegou a 49% entre mulheres. A 50% entre adultos de 45 a 59 anos. E a impressionantes 55% no Nordeste.

Isso mesmo. Mais da metade dos nordestinos dão nota zero ao governo Temer. Neste recorte, a avaliação média do Governo Federal não passa de 2.

É um alerta que não pode ser ignorado. Trata-se da região mais interessada numa volta do PT à Presidência. A baixíssima avaliação recebida dá a entender que o diálogo do PMDB com o nordestino tem sido péssimo. E só a ausência de uma alternativa viável poderia referendar por lá a volta de um projeto tão corrupto ao poder.

Ainda há tempo para trabalhar isso. Mas é preocupante.

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Projeto do PSDB usa o mesmo argumento que Maduro explorou para tentar censurar as redes sociais

Projeto de Lei n° 323 foi apresentado por Paulo Bauer, do PSDB de Santa Catarina. De acordo com o resumo do site do Senado, a ideia é alterar “o Marco Civil da Internet para coibir a propagação de discurso de ódio pelas redes sociais“.

Resumidamente, se a vontade do Senador for acatada pelo Congresso, “o provedor de aplicações de internet que disponibilize conteúdo gerado por terceiros será responsabilizado quando deixar de promover a indisponibilização de conteúdo que incite o ódio, a discriminação, o preconceito ou a violência contra pessoa, ou grupo de pessoas, em razão de sua etnia, raça, cor, nacionalidade, origem regional, idade, deficiência física ou mental, religião, sexo ou orientação sexual“.

Promover a indisponibilização” é um eufemismo daqueles para “censurar“. Mas, afinal, quem seria contra censurar “conteúdo que incite o ódio, a discriminação, o preconceito ou a violência“?

A questão, no entanto, é outra: quem define o que é ódio, discriminação, preconceito ou violência? Para a militância mais radical, qualquer palavra desalinhada com o discurso político entoado por ela pode ser enquadrada em tais termos. Na dúvida, basta lembrar como Nicolás Maduro preparava naquele mesmo setembro uma lei para calar as críticas recebidas nas redes sociais:

A chamada Lei Constitucional contra o Ódio, a Intolerância Política e pela Convivência Pacífica prevê penas de até 25 anos de prisão para quem, na avaliação da Constituinte, “difundir mensagens de ódio” nas redes sociais.

Os detalhes ainda não são conhecidos, mas o temor é que a medida dê margem para criminalizar qualquer manifestação de opiniões que possa incentivar o dissenso na sociedade.

“Essa é uma lei absolutamente ditatorial que pretende controlar por completo a liberdade de expressão. Ela está baseada em parâmetros absolutamente abstratos”, diz a pesquisadora da Universidade Central da Venezuela, Luisa Torrealba.

Quem vai decidir qual opinião é criminosa ou não? Caminhamos para uma situação em que não só se expressar será crime, mas também pensar.”

Conservadores e liberais já vivem nas redes sociais sob uma censura velada das startups do Vale do Silício, que chegam a criar departamentos inteiros para sufocar a propagação de ideias que não interessam a progressistas. Sempre com a alegação de que combatem o “discurso de ódio”. Mas o próprio Maduro serve de exemplo que, na verdade, está em jogo uma enorme ação política para calar a divergência.

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Era falsa a notícia reverberada na imprensa sobre homem que tentara cortar o “hijab” de garota no Canadá

Janeiro de 2018 começou a esquentar quando Khawlah Noman ganhou o noticiário dizendo que um homem por duas vezes tentou cortar o “hijab” dela enquanto ia para a escola com o irmão. Mesmo em se tratando de uma garota com apenas 11 anos de idade, as autoridades não aguardaram a apuração dos fatos para repudiarem o ocorrido. Do prefeito de Toronto ao primeiro-ministro do Canadá, a comoção foi barulhenta.

Três dias depois, contudo, a polícia pôde confirmar que nada daquilo acontecera. O próprio prefeito de Toronto ajudou a desmentir. Mas, como se vê no compartilhamento das mensagens, a repercussão foi bem menor.

Conforme relatado à CBC, mesmo cometendo uma falsa comunicação de crime, a garota não enfrentará qualquer consequência legal. O que só fortalece a suspeita de que o combate ao que se convencionou chamar de “fake news” tem alvos bem selecionados. E a lei não há de atingir qualquer aliado da esquerda progressista.

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O Judiciário no banco dos réus

Nesta semana que se inicia, mais precisamente no dia 24, o Judiciário brasileiro viverá sua data mais importante desde o impeachment de Dilma Rousseff, em dezembro de 2015. Veremos nesta quarta-feira, em transmissão ao vivo pelo Youtube, o julgamento do ex-presidente Lula referente ao “caso Triplex”, onde foi condenado pelo juiz Sergio Moro a nove anos e seis meses de prisão.

Além do ineditismo de vermos, pela primeira vez, um ex-presidente sentado no banco dos réus, veremos também o Judiciário sendo julgado.

A população brasileira está pagando pra ver se o Poder Judiciário terá coragem de condenar o maior (quiçá o único) líder político da América Latina. Lula é réu diante do Judiciário. O Judiciário é réu diante da população.

Neste país a crise dos Poderes é tão grande que não se sabe mais onde termina um e começa outro. Não se tem mais fronteiras nas esferas de poder. Nomeações políticas deixaram de ser exclusividade do Poder Executivo, como ficou claro no caso da nomeação liminarmente bloqueada de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho. Julgamentos deixaram de ser exclusividade do Judiciário, como ficou claro nos casos onde o STF tinha certeza da culpabilidade de Aécio Neves mas devolveu à Câmara a responsabilidade por seu destino. O papel de Legislador saiu do Legislativo e se aninhou na palma da mão do Executivo, como no caso de venda de Medidas Provisórias (que ainda vão render muita dor de cabeça ao réu dessa semana).

O eterno dono do Partido dos Trabalhadores se agarra com unhas e dentes na mais gutural das estratégias de defesa: o apelo ao emocional humano. Grita dia e noite que “não existem provas e, assim, condenarão à cadeia um homem inocente”. Ele quer fazer chorar a mão de família e o pobre trabalhador rural quando, diante de seus televisores na quarta-feira à noite, assistirem no Jornal Nacional o ex-presidente recebendo o veredito ‘culpado’ diante dos juízes de Curitiba.

Na mesma linha de defesa está o Supremo Tribunal Federal, que desde o início da Lava-Jato envia seus representantes à entrevistas de todos os meios de comunicação para bradar “as instituições estão funcionando plenamente”, enquanto o Brasil assiste um ministro sozinho emitindo liminares e lavrando Habeas Corpus para livrar os maiores bandidos do Rio de Janeiro da cadeia. A estratégia de defesa do já desmoralizado STF é tocar o coração dos brasileiros (pois as mentes ele já não toca mais). Quer nos fazer crer na suprema inteligência, aquele poder transcendental do qual não conseguimos partilhar, nos restando assim apenas a fé. A crença de que “a justiça será feita”.

Juridicamente é quase impossível que Luis Inácio seja preso “de imediato”. Impossível porque para além da dificuldade de se fazer cumprir a lei neste país há ainda a dificuldade de se ter qualquer segurança em qualquer decisão, não há nenhuma impossibilidade neste país de justiça maluca. De fratricida recebendo benefício pra sair da prisão no Dia das Mães a assassinos de criancinhas  sendo beneficiados com ‘saídão’ do Dia das Crianças. Aqui um advogado de porta de cadeia pode tentar qualquer jogada diante do juiz e ainda lograr êxito.

Fica então marcado para esta quarta-feira, dia 24, o julgamento do corrupto Luis Inácio Lula da Silva, e do Judiciário brasileiro. Veremos quem sairá inocentado deste medonho episódio que assistiremos todos, atentos diante de nossa tela de computador, tablets e smartphones mundo afora.

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Assim como Lula, Hugo Chávez prometeu fazer a “democratização da imprensa”, mas era tudo censura mesmo

“Democratização dos meios de comunicação” era o eufemismo sacado por Hugo Chávez quando usava a força do Estado para censurar a imprensa. Exemplos de como a própria mídia foi conivente com a manobra não faltam. Como essa não era uma característica do chavismo, mas da esquerda em si, Nicolás Maduro deu continuidade a ação tão abjeta. Até que não havia outra denominação para a Venezuela: ditadura.

Lula, que seguiu aplaudindo o governo venezuelano mesmo após ter se consolidado como uma tirania assassina, usou o Twitter em ao menos 15 oportunidades desde abril de 2017 para prometer medida semelhante caso volte a presidir o Brasil. Com uma ou outra variação de termos, o eufemismo é o mesmo: democratização dos meios de comunicação.

Na maioria das vezes, como no fato observado em janeiro de 2018, a promessa é feita em tom de ameaça. Tudo é justificado como resposta para a forma como noticiam todos os esquemas que o atingem e são desvendados pela Polícia Federal com ajuda do Ministério Público Federal. E, claro, tudo é feito ignorando o tremendo esforço da própria imprensa para reduzir os estragos na imagem de figura tão bem quista pela categoria.

24 de abril de 2017

29 de abril de 2017

5 de maio 2017

19 de agosto de 2017

26 de agosto de 2017

28 de agosto de 2017

2 de outubro de 2017

3 de outubro de 2017

21 de outubro 2017

28 de outubro de 2017

30 de outubro de 2017

29 de novembro de 2017

1 de dezembro de 2017

15 de dezembro de 2017

17 de janeiro de 2018


No primeiro semestre de 2017, quando da realização do VI Congresso Nacional do PT, Lula soltou o que foi entendido como um “dog-whistle politics“, ou aquela mensagem cifrada lançada para driblar o jornalismo e ser entendida exclusivamente pela militância. Num tom malicioso, o ex-presidente disse: “Eu não fiquei mais radical. Apenas fiquei mais ‘maduro’“. E insistiu de forma ainda mais enfática: “Mais ‘maduro’“.

Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann sorriram. O recado tinha ficado bem claro. Só não o entendeu quem não quis entender.

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Em ano eleitoral, o Minha Casa Minha Vida constrói em média 109 mil casas a mais

As metas do  Minha Casa Minha Vida são divididas em faixas de renda. Para 2017, o objetivo era subsidiar ou financiar a juros baixos um total de 610 mil moradias. Mas o governo Temer entregou um resultado decepcionante.

Ao todo, o ministério das Cidades ficou devendo 167,8 mil residências, ou 27,5% do prometido. Para piorar, o grosso do déficit (87,6%) coube justo à camada mais pobre. Das 170 mil casas prometidas, apenas 23 mil foram subsidiadas.

No geral, os números apresentados pelo governo Temer foram melhores que os últimos da gestão Dilma – em 2015, por exemplo, de um total de 407 mil, a presidente cassada subsidiou apenas 16,9 mil residências.

O governo defendeu-se terceirizando a culpa a ajustes e burocracia. Mas talvez tenha faltado vontade políticas, uma vez que o uso eleitoreiro do MCMV parece evidente no gráfico em destaque no Estadão. Nos anos ímpares, os governos Lula, Dilma e Temer ajudaram a construir uma média de 505,5 mil casas. Já nos eleitorais, a média subiu para a 614,8 mil. Quando a eleição é presidencial, a eficiência do programa cresce ainda mais e atinge 643,8 mil de média – uma diferença de 138,3 mil.

O eleitor brasileiro precisa ficar atento para novamente não associar o benefício ao partido do poder. Afinal, programa de porte tão avantajado dificilmente será deixado de lado por gestões futuras.

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O Estatuto do Desarmamento não reduziu as mortes por armas de fogo

A exemplo do ocorrido em 2013 e 2015, o Mapa da Violência de 2016 aproveitou os dados que colheu para fazer propaganda a favor de uma população desarmada. Para isso, mais uma vez se valeu de um ponto de vista um tanto pitoresco: de acordo com o levantamento, desde 2004, quando entrou em vigor, o Estatuto do Desarmamento não teria evitado o crescimento das mortes por armas de fogo, mas sim que este crescimento fosse ainda pior. Por essa lógica, 134 mil óbitos teriam sido evitados.

Mas faz sentido a leitura de Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo da Flacso Brasil, autor do estudo?

O primeiro ponto estranho é o confronto entre os períodos estudados: antes do Estatuto, olha-se para um intervalo de 23 anos, e conclui-se que o crescimento médio de 8,1% seria pior que os 2,2% observados entre 2004 e 2014.

Por que não usar um período idêntico? Não interessava mostrar que, entre 1993 e 2003, o crescimento já havia caído para uma média abaixo dos 6%? E que, nos 11 anos anteriores, se aproximava dos 9%? Ou uma prévia tendência de queda não interessava para o discurso?

Números (levemente) melhores surgiram uma década antes

O gráfico interativo abaixo resume os dados apresentados pelo Mapa da Violência em 2015. Em verde, estão destacados os anos que antecederam o Estatuto do Desarmamento; em vermelho, os subsequentes.

Natural imaginar que, com a lei em vigor, ao menos as mortes acidentais por arma de fogo cairiam. Mas elas seguiram estáveis após 2004. Estranhamente, uma queda considerável teria ocorrido 10 anos antes, ainda que com um pico em 1999.

Quanto aos os suicídios por arma de fogo, em queda no trecho em vermelho, caíam desde 1994, assim como a coluna “indefinido”. O único número que ironicamente segue crescendo é o de homicídios, mesmo que em velocidade menor. Quando se fecha a conta, o “total” aponta alguma eficiência do Estatuto, mas, como se nota, fatores anteriores também contaram para o resultado.

Em outras palavras, pode se concluir que o Estatuto do Desarmamento até interferiu positivamente em alguns aspectos, mas não passou sequer perto de resolver o problema.

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Como a esquerda usa o “fact-checking” para controlar a informação que circula na internet

É uma tese recente e complicada. E, num primeiro momento, pouco crível. Mas uma breve organização nas informações ajuda na compreensão. A busca no Google Brasil a respeito do termo retorna o site da Pública. De acordo com a “agência de reportagem e jornalismo investigativo“, fact-checking seriauma checagem de fatos, isto é, um confrontamento de histórias com dados, pesquisas e registros“.

No Brasil, a prática já era perceptível na campanha presidencial de 2014. Veículos como Estadão e O Globo criaram seções especiais para checarem publicamente as informações apresentadas pelos candidatos nos debates, em especial os televisionados. Na campanha municipal de 2016, ao menos nas principais capitais, o trabalho se intensificou e o fack-checking ganhou vida própria, com projetos como Lupa, Aos Fatos e até mesmo o e-Farsas, um blog antigo de pesquisas de boatos, se somando à iniciativa.

De fato, com tanta informação, e principalmente com tanta desinformação, como criticar o trabalho de profissionais que se dispõem a lutar pela verdade em ambiente virtual?

Em primeiro lugar, lembrando que por trás da checagem há um ser humano com tudo o que há de complexo na humanidade. Ele tem suas crenças, suas certezas, suas dúvidas e até suas bandeiras. E, por mais que haja algum esforço, dificilmente conseguirá entregar ao trabalho a neutralidade de uma máquina.

O principal, contudo, é a natureza do discurso político. Por mais que dados sejam sacados a todo momento, não se trata de uma ciência exata. Números podem ser manipulados, a forma como a pesquisa foi realizada precisa ser levada em conta, e o debate permite todo tipo de figuras de linguagem, que se distanciam da exatidão das planilhas para que a mensagem seja melhor compreendida. Em outras palavras, por mais neutro que se queira o “fact-checker”, ele é só mais um dentre tantos intérpretes da realidade, fazendo de sua neutralidade apenas uma peça de autopromoção.

A campanha americana de 2016

Na última campanha presidencial americana, a parcialidade do fact-checking era tão evidente que até os próprios candidatos criavam seus times. O resultado da checagem da campanha de Hillary Clinton, por exemplo, segue no ar até o momento da redação deste texto. E o objetivo não era outro: provar que o adversário faltava com a verdade.

Mas o que deveria ser a campanha da informação, com veículos explorando a imagem de planilheiros incansáveis, findou na campanha da vergonha. As manchetes antecipavam a vitória de Clinton, por vezes com chances superiores a 99%, mas, como todos bem sabem, deu Donald Trump.

E então? Como explicar o fiasco da cobertura jornalística?

Respostas variadas sem nenhuma fonte confiável foram exploradas aos montes. Disseram que o eleitor republicano sentiu vergonha de declarar o voto em Trump, que a Rússia teria interferido no processo, bancaram uma recontagem de votos – o que findaria, vejam só, ampliando a votação do vencedor – e, principalmente, acusaram o eleitor de ter se deixado ludibriar por notícias falsas que circulavam nas redes sociais.

Qual entidade assinou o estudo que referendou uma gigantesca matéria sobre o tema aqui no Brasil? O site de entretenimento BuzzFeed.

Segundo um estudo do site BuzzFeed, as 20 notícias falsas sobre a eleição americana com maior engajamento no Facebook nos três meses que antecederam a votação geraram mais engajamentos (8,7 milhões) que as 20 notícias reais com mais reações publicadas por grandes veículos (7,3 milhões).

O BuzzFeed brasileiro chegou a resultado semelhante em relação a notícias sobre a Lava Jato publicadas em 2016: as dez falsas com mais engajamento no Facebook (3,9 milhões) superaram as dez verdadeiras (2,7 milhões) –no “top ten” das notícias falsas, há quatro da turma de Poços, três das quais do finado Brasil Verde Amarelo e uma da extinta Folha Digital.”

A crença da imprensa na ideia era tão cega que chegou-se a defender que uma cidade de 43 mil habitantes na Macedônia teria sido primordial para a eleição do homem mais poderoso do mundo.

Pressão sobre o Vale do Silício

Imediatamente, as empresas de comunicação partiram para cima das de tecnologia cobrando destas a criação de filtros contra notícias falsas, o que, por si só, contraria o princípio da neutralidade dos algoritmos de busca. Afinal, por motivos que não vêm ao caso, o pesquisador pode estar justamente querendo encontrar a informação equivocada. Mas as principais marcas cederam. O Facebook ativou uma espécie de carimbo para ser aplicado nas “fake news”. Quanto ao Google, a gigante de buscas criou um selo de verificação de fatos.

Mas com quem ficaria o poder para bater o martelo e dizer que uma notícia seria falsa ou não? Com os fact-checkers.

Trata-se de um marco histórico da curta vida da internet. Se antes havia dúvida sobre eventuais e condenáveis interferências humanas nos resultados dos sistemas de buscas e dos valiosos algoritmos das redes sociais, ela agora era propagandeada pela imprensa como uma conquista. Porque, claro, era uma conquista – para a imprensa.

O grande ministério da verdade

Hoje, num debate virtual com tantas narrativas, leituras, pontos de vista e dados (manipulados ou não), vigora um tribunal da verdade tocado por projetos como Aos Fatos, Lupa e Pública. Mas quem são estes juízes?

Justo o primeiro resultado da busca é o mais complicado. A Pública é um “think tank” que tem por objetivo pautar a imprensa com ideais progressistas. É um trabalho muito bem feito, competente, sério… Mas tem viés, tem uma agenda ideológica, por vezes partidária, a cumprir. Seu conselho apresenta grandes nomes da esquerda nacional, como Leonardo Sakamoto e Eliane Brum. Dentre os financiadores, há um punhado de organizações internacionais mais interessadas numa pauta global do que nas necessidades locais do Brasil. E seu conteúdo é constantemente reverberado em sites militantes alinhados com a agência.

É importante frisar: nada disso é ilegal. Mas a Pública é parte interessada no resultado da checagem. Há temas dos quais ela luta pelo avanço, enquanto de outros ela espera a contenção. Nessa situação, qualquer bom juiz se diria impedido de participar do julgamento.

O problema da Lupa não é tão diferente. É ligada ao grupo Folha, um jornal que emula alguma imparcialidade, principalmente em seu time de colunistas, mas já não consegue esconder que pende para o mesmo lado da Pública. Se, até os instante finais, negava ver motivos substanciais para defender o impeachment de Dilma, contra personagens como João Doria implica até com o não uso do cinto de segurança.

Do trio, o que soa mais independente é o Aos Fatos. Tai Nalon, sua diretora executiva, esforça-se para fazer um trabalho transparente e dosado. Mas sua equipe menor não conseguiu evitar alguns deslizes que chegaram a viralizar na última campanha – ainda que, de imediato, tenham buscado corrigir o erro.

“Fact-checking é censura?”

Numa resposta nada simpática, contatado para explicar as fontes de informações veiculadas em suas redes sociais, o Movimento Brasil Livre mandou a Pública se virar. E foi além. Num reducionismo de defesa bem complicada, sentenciou: “fact-checking é censura!”

Será mesmo?

Ora… Se impedir a publicação de livros for censura, se impedir a veiculação de músicas for censura, se impedir discurso em público for censura, natural achar que dificultar a veiculação de informações em redes sociais e o acesso a elas por meios de sistemas de busca também seja. E, na mão de profissionais com militância tão evidente, é isso o que fact-checking de fato lembra. Somado ao contexto das recentes derrotas eleitorais da esquerda, a pressão contra o Vale do Silício parece apenas uma etapa de um plano bem sucedido.

A checagem de fatos é praxe do jornalismo. É estranho e sintomático que agências se vendam como especialistas em algo tão básico na profissão. Sem querer, entregam que, na prática, a teoria é outra. E que as redações reverberam muita desinformação sem checagem. Em especial, as mais convenientes. Aquelas que fortalecem o discurso que mais norteia o setor. Um discurso que tem cor, bandeira… E até selfie.

Não é errado checar fatos. Não é errado fazer fact-checking. Não é errado ter projetos especializados nisso. O erro está em tentar criar um controle da mais livre invenção da humanidade, a internet. Em colocar nas mãos de jornalistas — profissionais que andam com a credibilidade cada vez mais questionável — o poder para definir o que é verdade e o que é mentira na web. Eles podem e até devem se esforçar nessa missão, mas em seus veículos. Não em motores de busca. Não em redes sociais. A liberdade de expressão agradece.

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É possível um governo de Direita no Brasil?

Um resumo simples dos termos políticos “esquerda” e “direita” é:

  • Esquerda: defende que o Estado seja o agente ativo na distribuição de renda e prestação de serviços públicos, uma vez que só o Estado trabalha para todos pois não tem interesses pessoais e sim coletivos, pátrios.
  • Direita: defende menor atuação do Estado na distribuição de renda e prestação de serviços e, por isso, busca ação do Estado apenas nas áreas vitais ao cidadão: Educação, Saúde e Segurança.

O Brasil tem hoje 35 partidos políticos e, praticamente todos eles, são de esquerda. Desde grandes partidos como o PMDB até partidos como o Partido Social Cristão, todos eles defendem atuação do Estado em todas as áreas do cotidiano brasileiro. Na saúde, a máquina pública hoje lida com canabidiol e com o saleiro na mesa do restaurante. Na Segurança, o Estado é responsável até pela contratação de porteiros para creches. Na Educação, é o MEC quem realiza o ENEM e também define até o ensino da educação sexual nas escolas públicas.

E poderia ser diferente?

Visando o resultado a curto prazo, não. O Brasil é um país pobre, grande parte da população vive na miséria. A História do Brasil começou com a escravidão, época em que a vida brasileira se resumia a desbravar e ocupar o vasto território do Brasil – enquanto a economia se baseava na exportação de commodities produzidas debaixo de chibata; foi-se a escravidão e ficou a desigualdade social em cidades cada vez mais povoadas. O Brasil não estava preparado para lidar com as necessidades de um povo improdutivo, estava acostumado a ver esse povo sobreviver de agricultura de subsistência e, os escravos, esses eram propriedade (e responsabilidade) de seus “donos”. A população negra foi literalmente abandonada. A população rural morria à míngua no campo. Convergiram todos para as cidades e o Estado não conseguiu transformar essa inércia em força produtiva; foi-se o império e a população conheceu um Estado que não concedia a seu povo o exercício do poder, estava tudo nas mãos das poderosas famílias do tempo da escravidão; o Brasil mergulhou então no governo autoritário de Vargas; Ditadura Militar; e aqui estamos nós.

Em 500 anos o brasileiro não se profissionalizou, viveu do trabalho braçal.

Depois do advento da globalização, país improdutivo não consegue participar da divisão de riquezas. Todos os países que saíram da miséria para se tornar uma nação que oferece a seu povo vida saudável e feliz, todos eles trilharam o mesmo caminho: educação e trabalho. O Brasil não tem Educação. O Trabalho no Brasil ainda não agrega valor, ainda vivemos de commodities.

Urge trilhar o caminho do desenvolvimento humano no Brasil. O único caminho que pode nos libertar dos grilhões da ignorância e proporcionar ao cidadão brasileiro a liberdade de escolher seu próprio destino. Escolher, inclusive, se tornar independente do Estado.

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