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Por ao menos 6 vezes, delatados e grampeados buscaram interferência do STF nas investigações

Eduardo Cunha mesmo jura ter entendido como “bravata” a fala de Dilma Rousseff quando garantiu ter “cinco ministros do Supremo” para socorrer o peemedebista em apuros. Mas o STF vem surgindo em tantas delações e escutas que já seria o caso de se perguntar a profundidade da verdade em tanta promessa. Em especial, preocupa a delação de Delcídio do Amaral. Ela veio a ser homologada por um dos ministros citados na tentativa de obstrução de Justiça – e pouco destaque foi dado ao fato.

Abaixo, são listados os seis momentos em que a imparcialidade do STF mais foi posta à prova nos últimos 11 meses:

1. Julho de 2015 – Dilma Rousseff e José Eduardo Cardozo

A primeira investida que se tem notícia ocorreu em julho de 2015, partindo de Dilma Rousseff e José Eduardo Cardozo. Do lado do STF, participaram Ricardo Lewandowski e Teori Zavascki. O conteúdo do encontro só foi conhecido após a delação de Delcídio do Amaral em fevereiro de 2016. Nela, a presidente e o ministro da Justiça se encontram clandestinamente em Portugal com os membros da Suprema Corte, mentem a respeito dos motivos do encontro e conversam abertamente sobre formas de se melar a Lava Jato. Ainda que não tenha logrado sucesso, os ministros consultados nada fizeram contra a gritante tentativa de obstrução de Justiça. Para completar, o próprio Teori Zavascki homologaria a delação em março passado.

QUE o principal objetivo do Planalto era a soltura destas pessoas presas, em razão da importância delas no cenário político e empresarial; QUE em determinado momento, a Presidente DILMA ROUSSEF foi para a Europa e aproveitou para fazer uma escala em Portugal para conversar com Ministros do STF que lá se encontravam, em especial o ministro RICARDO LEWANDOWSKI e também o
Ministro TEORI ZAWASCKI; QUE as informarções que o depoente teve sobre taI viagem foram todas repassadas ao depoente pelo Ministro da Justiça JOSÉ EDUARDO CARDOZO, que também participou desta viagem; QUE foi dito ao depoente que o Ministro LEWANDOWSKI teve uma postura bastante equidistante na questăo; QUE um dos temas da conversa era a Operação Lava lato, embora tenham dito “oficialmente” que o assunto era o reajuste do salário dos funcionários do Judiciário federal; QUE isto não era verdade, pois quem tratava do tema do reajuste salarial destes funcionários era o depoente; QUE não havia sentido em ir para Portugal para falar deste assunto de reajuste salarial; QUE soube que foi uma conversa “deserta” e “árida”, sem nenhum feedback; QUE se tratou de uma primeira investida frustrada, portanto;

2. Setembro de 2015 – Dilma Rousseff e Luiz Fernando Pezão

Apesar de o telefonema contar com testemunhas, não há registro em áudio desses dois casos, mas apenas a palavra de alguém bastante suspeito, Eduardo Cunha. De acordo com o ex-presidente da Câmara, por duas vezes Dilma Rousseff ofereceu-lhe “cinco ministros do Supremo” como forma de “ajuda”. Na época, além da cassação do peemedebista, discutia-se o afastamento da petista via impeachment.

“A presidente, no dia em que eu estive com ela, em 1º de setembro, fui para uma audiência que ela convocou para falar de medidas e sei lá o quê. Ela disse que tinha cinco ministros do Supremo para poder me ajudar. Disse isso. Ela não disse os nomes nem ajudar no que. Eu simplesmente ignorei. Teve uma outra oportunidade em que o governador Pezão, numa segunda-feira que eu estava aqui em Brasília, agosto ou setembro, simplesmente me telefonou porque precisava falar comigo urgente. Ele disse: ‘eu estava querendo ir almoçar com o Michel no Jaburu’. Eu disse: ‘Pezão, quer me encontrar lá?’. E ele foi. Chegando lá, pedi licença ao Michel, eu fui para uma sala sozinho com ele, que veio com a mesma história de que ela tinha cinco ministros do Supremo para me ajudar.”

3. Novembro de 2015 – Delcídio do Amaral

Enquanto tentava convencer Bernardo Cerveró a aceitar R$ 250 mil e assim manter o próprio pai calado quanto aos crimes cometido por José Carlos Bumlai, o amigo que Lula tentava proteger, Delcídio do Amaral citou conversas diretas e indiretas com pelo menos três ministros do STF:

“Agora, agora, Edson e Bernardo, é eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora, eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar, o Michel conversou com o Gilmar também, porque o Michel tá muito preocupado com o Zelada , e eu vou conversar com o Gilmar também.”

4. Dezembro de 2015 – Aloizio Mercadante

Em situação quase idêntica, Aloizio Mercadante seria flagrado oferecendo ajuda financeira para evitar a delação premiada de Delcídio do Amaral. Em dado momento da conversa, o então ministro de Dilma prometia conversar com Ricardo Lewandowski a respeito:

“Não, não, mas o presidente vai ficar no exercício… também precisa conversar com o Lewandowski. Eu posso falar com ele pra ver se a gente encontra uma saída. Mas eu vou falar com o ministro no Supremo também.”

5. Março de 2016 – Lula

Lula foi flagrado em grampo pedindo a Jaques Wagner para ver com Dilma uma negociação que envolveria a ministra Rosa Weber. No desabafo, o ex-presidente deixa a entender que já havia procurado homens no STF, mas nenhum demonstrou coragem para tentar melar a investigação que atingia o petista.

“Eu queria que você visse agora, falar com ela [Dilma] já que ela está aí, falar com ela o negócio da Rosa Weber. Está na mão dela para decidir. Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram”

6. Maio de 2016 – Romero Jucá

Sem citar nomes, Romero Jucá diz a Sérgio Machado, parceiro de Renan Calheiros em um inquérito no STF, que conseguiu algum retorno de ministros do Supremo. Em contatos anteriores, o ex-presidente da Transpetro havia pedido ajuda ao senador peemedebista que participa(ra) dos governos Lula, Dilma e Temer.

 “Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.”

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