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Reeleição de Rodrigo Maia é o governo Temer insistindo no erro que fez sua popularidade ruir

Basicamente, um presidente da Câmara dos Deputados precisa cumprir com dois requisitos: a) não possuir um volume incômodo de problemas com a Justiça; b) conseguir dialogar com governo e oposição. Eduardo Cunha pecava em ambos. Não só caiu com pouco mais de um ano de trabalho, como encontra-se hoje na cadeia.

Rodrigo Maia, contudo, parece afinado com as regras não oficiais. Ao ponto de caminhar para reeleger-se, mesmo não havendo previsão no regimento da casa para dois mandatos em uma mesma legislatura — mas quem se importa com leis em Brasília?

Uma nova vitória de Rodrigo Maia é uma nova vitória do governo Temer, que o apoia por ver nele alguém que consegue aprovar o ajuste fiscal. Mas é preciso entender como nasce esse diálogo do atual presidente da Câmara com toda a casa que preside. E isso só é possível citando a Lava Jato.

Porque o Congresso inteiro queria enfraquecer a operação. E, em troca de votos, Maia se entregou à pauta de seus eleitores. A tranquilidade com que caminha para uma reeleição inexistente nas regras vigentes entrega que agradou aqueles que queriam coisas absurdas como anistia ao caixa dois e se aproveitaram da tragédia da Chapecoense para estuprar o pacote de medidas contra a corrupção.

Em outras palavras, a vitória do governo Temer é a insistência no erro que fez sua já baixa popularidade ruir no final de 2016.

Depois não adianta reclamar quando as ruas voltarem a exigir-lhe a queda.

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