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Renan diz em grampo que Dilma pressionou o jornalismo da Globo, mas só teve sorte na Folha

Renan Calheiros sabia que estava sendo grampeado? Ou é calejado ao ponto de não se deixar incriminar mesmo diante de Sérgio Machado, indicação do peemedebista que por 10 anos aprontou na Transpetro? Há a chance de o senador alagoano de fato ser uma pessoa íntegra que nada tem a esconder?

Fato é que o grampo trazido à tona pela Folha de S. Paulo, ao contrário do que se espalhava na imprensa, não traz nada que complique por demais a vida do presidente do Senado. No máximo, é feita a defesa da mudança da lei da delação premiada, algo que já se comenta abertamente em Brasília há tempos.

Mas por dois momentos é relatado, sem citar nomes, que Dilma Rousseff tentou interferir nos trabalhos do jornalismo da Globo e da Folha de S.Paulo. E que só conseguiu alguma simpatia da parte da segunda.

A primeira conversa cita pressão realizada junto a João Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo. Mas o resultado, nas palavras de Renan, seria “desastroso”:

MACHADO – Agora, a Globo passou de qualquer limite, Renan.

RENAN – Eu marquei para segunda-feira uma conversa inicial com [inaudível] para marcar… Ela me disse que a conversa dela com João Roberto [Marinho] foi desastrosa. Ele disse para ela… Ela reclamou. Ele disse para ela que não tinha como influir. Ela disse que tinha como influir, porque ele influiu em situações semelhantes, o que é verdade. E ele disse que está acontecendo um efeito manada no Brasil contra o governo.

MACHADO – Tá mesmo. Ela acabou. E o Lula, como foi a conversa com o Lula?

Com o jornal, segundo Renan Calheiros, a conversa teria sido “muito melhor”. Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, chegou até a reconhecer que a cobertura tinha “exageros”:

MACHADO – Não dá pra ficar como está, precisa encontrar uma solução, porque se não vai todo mundo… Moeda de troca é preservar o governo [inaudível].

RENAN – [inaudível] sexta-feira. Conversa muito ruim, a conversa com a menina da Folha… Otavinho [a conversa] foi muito melhor. Otavinho reconheceu que tem exageros, eles próprios tem cometido exageros e o João [provável referência a João Roberto Marinho] com aquela conversa de sempre, que não manda. […] Ela [Dilma] disse a ele ‘João, vocês tratam diferentemente de casos iguais. Nós temos vários indicativos’. E ele dizendo ‘isso virou uma manada, uma manada, está todo mundo contra o governo.’

MACHADO – Efeito manada.

RENAN – Efeito manada. Quer dizer, uma maneira sutil de dizer “acabou”, né.

Na matéria original publicada na própria Folha, nenhum dos dois veículos se posicionam no “outro lado“.

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