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Gilmar Mendes não queria, mas ofendeu 1,6 milhão de brasileiros que assinaram o Ficha Limpa

O STF está empenhado em inutilizar um dos aspectos mais importantes da Lei da Ficha Limpa, aquele que impedia que gestores municipais reprovados nos tribunais de contas pudessem se reeleger. Pela nova jurisprudência, o impedimento só poderá vir após a rejeição das contas pela Câmara dos Vereadores. Ou seja… Deram poder para que os mais irresponsáveis populistas gastem indiscriminadamente e comprem nos bastidores – sempre com verba pública – o apoio dos parlamentares que analisarão os casos.

Durante o julgamento, Gilmar Mendes se pronunciou nestes termos: “Sem querer ofender ninguém, mas já ofendendo, a lei parece que foi feita por bêbados“. Ofendeu. E muito. Porque se trata de um projeto de lei de iniciativa popular que reuniu cerca de 1,6 milhão de assinaturas. O ministro do STF chamou de bêbados os centenas de milhares de brasileiros que se empenharam para tirar da vida pública os políticos mais irresponsáveis e corruptos do país. O que permite ao autor deste texto devolver a indelicadeza.

Afinal, sem querer ofender ninguém, o que parece feito por bêbados é o STF. Pois foi esta corte que o trabalho do constituinte foi convertido em uma blindagem dos crimes cometidos por presidentes da República. Foi esta corte que derrubou a cláusula de barreira permitindo que o Brasil tenha hoje partidos às dúzias. Foi esta corte que legalizou a cota racial que hoje finda em tribunais raciais para a definição de quem tem acesso a cargos públicos. Foi esta corte que livrou os mensaleiros do crime de formação quadrilha. Foi esta corte que interferiu no trabalho do legislativo garantindo meses de sobrevida a Dilma Rousseff, período que a petista usou para queimar recursos públicos aos bilhões e deixar uma bomba fiscal ao sucessor. Foi essa corte que ignorou as decisões do próprio plenário para monocraticamente livrar da cadeia os condenados em segunda instância. Foi esta corte que mandou investigar a confecção de duas caricaturas infláveis num flagrante ataque à liberdade de expressão. É esta a corte que adora ignorar a Constituição que deveria defender para derrubar políticos em má conta com a opinião pública, e ao mesmo tempo preservar tantos outros com a popularidade em alta.

Há a realidade. E há a imprudência decidida no plenário no STF. A segunda esculhamba a primeira. E quem se dá mal é o brasileiro. Em especial o mais humilde que não tem reservas para enfrentar o peso de um Estado tão corrupto.

Esta publicação é fã de Gilmar Mendes. Mas, se ele quiser continuar tendo o respeito deste parágrafos, precisa antes se dar ao respeito.

Mais cuidado com as palavras nas próximas. E principalmente com os votos.

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